quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O BPN e o PIB

Diariamente e a a todo o momento, os portugueses ouvem falar na fraude do BPN. Até a campanha eleitoral para a Presidência da República já foi contaminada por este lamentável caso.
Mas isto não é só conversa. É muito mais que isso. Trata-se dum caso de polícia de extrema gravidade, que além do efeito devastador provocado sobre as contas públicas, revela também a ineficiência da entidade reguladora (Banco de Portugal), a promiscuidade entre a política e os negócios (Cavaco e seus "muchachos") e a fragilidade do sistema financeiro do país, incapaz de suportar os efeitos da gestão danosa de pseudo banqueiros com falta de escrúpulos.
Vamos então aos factos:
Os activos do BPN foram sobreavaliados e descobriu-se que são insuficientes para cobrir as responsabilidades ditadas pelo seu passivo.
Na última semana os depositantes do BPN fizeram levantamentos no valor de 200 milhões de euros, presume-se por falta de confiança na gestão e futuro do banco.
O BPN está à venda e compreende-se que não se vislumbrem compradores.
Para evitar a falência do BPN, o governo português injectou no banco cerca de 4,8 mil milhões de euros, subtraídos aos contribuintes através dos PEC's e, para manter o BPN moribundo, é necessária nova injecção de 500 milhões de euros.
Durante quanto tempo e quanto milhões de euros serão ainda necessários para evitar a anunciada morte do BPN?
Os portugueses estão cansados de pagar o produto do roubo praticado por alegados ladrões impunes e questionam se não seria preferível parar de "deitar dinheiro ao lixo" e declarar a falência do BPN.
De facto, deixar cair o banco era uma hipótese, mas nesse caso, os 4,8 mil milhões de euros que o Estado (contribuintes) lá injectou seriam dados como irrecuperáveis e levados à conta do défice de 2011, provocando uma derrapagem de 4,7% para cerca de 9% do PIB.
Este problema terá de ser resolvido pelo governo de José Sócrates.
Entretanto, enquanto os ladrões se passeiam por "resorts" cabo-verdianos e SPA's de luxo, dando continuidade a uma vida faustosa, perante a passividade do poder judicial...
O ZÉ PAGA E NÃO BUFA!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

MASSA CRÍTICA EM PORTUGAL


De quando em vez, vemos, ouvimos e lemos (como disse Sophia de Mello Breyner) que o país precisa de Massa Crítica.
À primeira vista parece tratar-se de mais um "sound byte" de muitos que são utilizados para emprestar mais força a uma ideia. Possivelmente assim será.
Mas, afinal o que vem ser essa coisa da Massa Crítica, que enche a boca de políticos e comentadores?
A curiosidade do Pai do Bicho levou-o a uma breve pesquisa na Wikipédia e encontrou as seguintes definições:


1 - Conceito físico que exprime a massa de material fissionável necessária para que se desencadeie uma reacção nuclear.
2 - Massa Crítica é um movimento social de ocupação, organizada e massiva, de ruas e espaços públicos por indivíduos com veículos de propulsão humana.
3 - Em dinâmica social, Massa Crítica é a mentalidade de um grupo em relação a um determinado assunto, necessária e suficiente para, em quantidade e qualidade, estabelecer e sustentar determinadas acções, relações ou comportamentos.

É pois a esta última definição que políticos e comentadores se referem quando muitas vezes afirmam que em Portugal falta Massa Crítica. Isto é o mesmo que afirmar que vivemos num país de acéfalos.
Possivelmente os senhores que emitem este juízo estarão apenas a ver-se ao espelho ignorando que, nos últimos anos, tem sido exponencial o crescimento do número de cientistas e investigadores portugueses reconhecidos internacionalmente por trabalhos desenvolvidos nas mais diversas áreas, além de outras mentes brilhantes que têm revelado excelente capacidade nos domínios empresarial e académico.
O sucesso alcançado por muitos portugueses invalida a tese do déficit de Massa Crítica em Portugal.
Só os políticos teimam em não ultrapassar a fasquia da mediocridade e o resultado está bem à vista.
Lamentavelmente a Massa Crítica da classe política está orientada exclusivamente no sentido de alimentar a partidocracia e, enquanto esta cultura permanecer, Portugal manter-se-à social e economicamente pobre.
Como poderemos então resolver esta triste situação sem recorrer à emigração? O Pai do Bicho crê que a alternativa a mudarmos de país, reside em mudar os políticos e a Massa Crítica que os enforma.
Vamos a isso!

sábado, 1 de janeiro de 2011

PARA UM ANO MELHOR


No início do novo ano o Pai do Bicho gostaria de acreditar num país e num mundo melhor para todos. Contudo, as circunstâncias apontam em sentido contrário. Será difícil, mas é possível contrariar essa tendência. Essa é a missão de cada um de nós.
O Pai do Bicho convida-os a ler e reflectir sobre o discurso que José Saramago proferiu no momento em que recebeu o Prémio Nobel da Literatura, corria o ano de 1998.







sábado, 25 de dezembro de 2010

VASOS COMUNICANTES ASSIMÉTRICOS


Hoje, mais do que nunca, a economia mundial e a globalização geraram um sistema de vasos comunicantes assimétricos, onde, para que alguns vivam bem, muitos lutam pela sobrevivência.

Zé Brites

domingo, 19 de dezembro de 2010

GUANTÁNAMO E OS "DESENFIANÇOS"

«O Governo rejeita qualquer envolvimento na questão dos voos com detidos de Guantánamo, apesar de o jornal espanhol ‘El País’ ter ontem divulgado novos telegramas do portal WikiLeaks, que dão conta de "pressões" de Washington sobre o Governo e da "cautela" com que o executivo autorizou esses voos.»

(Correio da Manhã 17-12-2010)


Esta notícia do Correio da Manhã fez-me recuar algumas décadas e traçar uma analogia, ressalvando as devidas dimensões, com uma situação típica bem presente em todos que cumpriram o serviço militar - os "desenfianços".
Corria o ano de 1973 e o Pai do Bicho encontrava-se a cumprir o serviço militar no Campo de Tiro da Serra da Carregueira. Sempre que era escalado para o serviço de Sargento de Dia era normal ser abordado por recrutas solicitando que permitisse a sua saída do quartel, sem autorização oficial, para breves deslocações a casa. Na gíria militar a essa situação dava-se o nome de "desenfianço".
Como os poderes do Pai do Bicho não lhe permitiam conceder tal autorização, mas compreendia as razões humanas dessa necessidade, respondia assim às referidas solicitações:
"Está bem. Vocês "desenfiam-se" por vossa conta e risco e não comunicarei a vossa ausência se até às X horas (uma hora determinada) vocês se apresentarem no quartel. Farei tudo para, oficialmente, ignorar os vossos desenfianços"
O Pai do Bicho tinha conhecimento das escapadelas dos recrutas mas fazia "vista grossa".
Não sei bem porquê, mas a eventual escala destes voos em solo português transportando prisioneiros de Guantánamo, trouxe à memória do Pai do Bicho alguns momentos vividos em 1973 no quartel da Serra da Carregueira...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

NA AUSTRÁLIA MANDAM OS AUSTRALIANOS


Aos Muçulmanos que querem viver de acordo com a lei do Sharia Islâmico foi-lhes dito muito recentemente para deixarem a Austrália, no âmbito das medidas de segurança tomadas para continuar a fazer face aos eventuais ataques terroristas.
Aparentemente, o Primeiro-Ministro John Howard chocou alguns muçulmanos australianos declarando que apoiava agências-espiãs encarregadas de supervisionar as mesquitas da nação.
O Pai do Bicho convida à leitura do discurso do 1º Ministro Australiano à comunidade Muçulmana.

«OS IMIGRANTES NÃO-AUSTRALIANOS, DEVEM ADAPTAR-SE. É pegar ou largar! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria do Australianos.
A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade.
A nossa língua oficial é o Inglês; não é o Espanhol, o Libanês, o Árabe, o Chinês, o Japonês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua!
A maior parte do Australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas. Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura.
Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco.
ESTE É O NOSSO PAÍS, A NOSSA TERRA, E O NOSSO ESTILO DE VIDA. E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade australiana: O DIREITO de PARTIR. Se não são felizes aqui, então PARTAM.
Não vos forçamos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou.»


Cada qual tire as suas ilações.

domingo, 12 de dezembro de 2010

SERRA CINZENTA

A manhã de hoje apresentou-se muito cinzenta, mas tal não foi impeditivo que, cerca das 9h30 nos reuníssemos junto à Barragem do Rio da Mula para realizarmos mais um passeio matinal.Sob a ameaça eminente de chuva começámos por atacar uma íngreme subida,serpenteámos a Serra de Sintra e por inúmeras ocasiões nos "encolhemos" para dar passagem a grupos de "betetistas", que parecendo surgir de entre as árvores, partilharam trilhos e outros caminhos serranos com os caminheiros.Com cerca de 5 kms. percorridos foi tempo do habitual aconchego estomacal.Apesar das chuvadas outonais os caminhos apresentaram-se em bom estado,não obstante, aqui ou acolá, surgirem algumas poças facilmente transponíveis.Depois de passarmos pelo parque de merendas e desportos radicais situado no lugar denominado Pedra Amarela,chegámos à Barragem do Rio da Mula, sem que o Sol alguma vez nos tenha visitado e sem que as pernas acusassem o esforço dispendido nos cerca de 11 kms. percorridos.Desta vez tivemos a simpática companhia do casal Abel e Lúcia, que se integraram na perfeição no grupo e tiveram uma prestação meritória neste baptismo pedestrianista.Num ambiente caracterizado pelas cores do final do Outono, suavizadas pelo nevoeiro, despedimo-nos até ao próximo passeio.