quinta-feira, 17 de março de 2011

AUSTERIDADE PARA OS POBRES E GOLFE PARA OS RICOS


«A austeridade para equilibrar as contas públicas tem sido generalizada, mas o Governo prepara-se agora para abrir uma excepção: o IVA no golfe poderá cair de 23 para 6 por cento.»
(Correio da Manhã (CM) 15-03-2011)

O CM afirma que a austeridade tem sido generalizada. O Pai do Bicho não tinha dado por isso. Deve andar distraído...
Por ora deixemos esse pormenor da notícia e vamos à essência da notícia:
Com esta excepção, diz o Governo, que se pretenderá evitar uma quebra no número de praticantes, particularmente entre os estrangeiros que procuram o País para a prática da modalidade, que contribui com cerca de 500 milhões de euros de receita para a economia portuguesa.
O Pai do Bicho reconhece que o país precisa de incrementar a economia e gerar receitas para debelar a crise, mas parece desajustado, inoportuno e de muito mau gosto, anunciar a intenção de aplicar esta medida poucos dias após o anúncio de mais um controverso pacote de medidas de austeridade.
Os portugueses não acreditarão que os praticantes de golfe deixariam de escolher os nossos "greens" pelo facto de pagarem mais 17% de IVA.
Porque não reduzir a taxa do IVA nos materiais necessários para a agricultura que pagam a taxa máxima?
Quando o Pai do Bicho leu esta notícia ainda admitiu que os nossos governantes se orientassem por um calendário diferente, admitindo estar em pleno carnaval ou no 1º. de Abril e, por isso, estivessem a brincar ou a mentir. Mas não. Eles mentem e brincam com o povo a todo o momento, com o descaramento a que já nos habituaram.
Assim não vamos lá! Que país é este em que os governantes põem os pobres a pagar a crise enquanto facilita a vida aos ricos que praticam golfe?
Talvez os praticantes de golfe tenham uma relação promíscua com a governação e, sendo assim, a concretização desta medida, que o Pai do Bicho classifica de "pornográfica", estará então explicada.

domingo, 13 de março de 2011

"OPERAÇÃO CABEÇA LIMPA"

O passeio que realizámos esta manhã na Serra de Sintra,a partir da Barragem do Rio da Mula, constituiu um excelente exercício para limparmos a cabeça das dificuldades resultantes da desgovernação de sucessivos (des)governos.Foram cerca de onze quilómetros de caminhada soberbas paisagens que nos permitiram fazer esquecer os PEC's 1, 2, 3, 4...esquecer que estamos a pagar a existência de institutos e fundações públicas inúteis;esquecer que suportamos os custos de contratos leoninos que favorecem grandes grupos económicos nas parcerias público-privadas;esquecer o descontrole da despesa pública;
esquecer que estamos a pagar pacotes salariais de administradores de empresas municipais desnecessárias;esquecer a elevada taxa de desemprego;esquecer que pagamos frotas de viaturas em número desajustado e respectivos custos com motoristas;esquecer o cartel dos combustíveis;esquecer o esbanjamento do nosso dinheiro por parte dos governantes;esquecer que pagamos a socialização dos prejuízos resultantes da gestão danosa verificada no BPN e BPP;esquecer o endividamento do país;esquecer que Varas, Loureiros, Rendeiros e Oliveiras permanecem impunes perante a justiça;esquecer os falsos recibos verdes;esquecer que os bancos pagam impostos mínimos;esquecer a insuportável carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho e consumo;esquecer a existência de pensões de miséria;esquecer as remunerações desproporcionadas de gestores públicos;esquecer que a justiça não funciona;esquecer que Cavaco, Guterres, Barroso e Sócrates empurraram o país para o risco da bancarrota;Depois do passeio, caímos "na real" e tememos o descalabro. Mas temos que lutar e exercer os nossos direitos de cidadania para inverter a situação. Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe. Este malfadado ciclo há-de ter o seu termo e, entretanto nós continuaremos com as nossas saudáveis caminhadas que nos permitem manter a cabeça limpa.


PS - Se ficou perturbado com o que leu, volte ao início do "post" e veja só as fotos. O Pai do Bicho garante que ficará com a cabeça limpa.

sábado, 12 de março de 2011

GERAÇÃO À RASCA - Reflexão


Recebi de um ex-colega um mail com uma reflexão, que tenho pena de não ter sido produzida por mim, pois identifico-me com ela na íntegra. Por isso, não resisti e tomei a liberdade de partilhá-la com todos que acedem ao "Pai do Bicho".

Vale a pena ler e reflectir.

REFLEXÃO

«Este 4º pacote de “austeridade” é a prova provada da incompetência: 2 dias depois de o Sr. Sócrates dizer que nada mais era necessário! Sócrates, era já sabido, é troca-tintas e mau vendedor, daqueles que engana os clientes, os fornecedores e os colaboradores! Aqui, compreendo os tais mauzões dos mercados e a Sra. Merkel: Sócrates não merece qualquer confiança! Como português, democrata e de esquerda, sinto-me envergonhado e revoltado por isto ser feito por um partido dito socialista, eleito pelos portugueses! Se a aparente alternativa não fosse um PSD igualmente não credível, eu diria que preferia o inimigo a amigos destes! Se, como eu, também já não sabem o que é melhor, no mínimo contribuam para documentar que Sócrates, PS, PSD e Cavaco Silva fiquem na História como dos piores governantes da longa vivência deste país. É o mínimo que pudemos fazer como testemunhas temporais!
Umas palavras para a geração “À Rasca” que tem amanhã a sua manifestação. Não gosto de ver estas justificações generalistas de gerações, que são uma excelente maneira de “virar a casaca” e “sacudir a água do capote”. É que:
- tenho um imenso respeito pelas gerações que me antecederam, a dos nossos pais e avós, em grande parte analfabetos mas com bom senso, palavra credível, que não abandonavam os seus velhos, que se sacrificavam pelo melhor futuro dos seus filhos e que com, por vezes idiota humildade mas digna resignação, diziam não ter passado fome mas a fome ter passado por eles, na síntese feliz do pai de um amigo meu, que hoje mo lembrou. A geração que teve a coragem de dar o salto para França, para a Alemanha, para Angola e o Brasil, onde foram reconhecidos como bons trabalhadores. Geração em que, alguns, pagaram na prisão, na perseguição da PIDE, na destruição de carreiras, a sua discordância da pobreza triste. Geração em nada diferente da que descobriu o caminho marítimo para a Índia, que tanto vangloriamos e que eram, também, humildes e analfabetos pescadores! Com a diferença da classe dirigente ser, à luz do tempo, mais capaz e menos corrupta moralmente que a actual!
- já me foi dito na cara, até por pessoas próximas, que a geração a que pertenço é a principal culpada desta situação por ter sido mole com os seus filhos! Até posso aceitar em parte mas não me culpo, porque ajudei a criar filhos dignos e produtivos, e porque, alguns de nós, foram os que minaram o Portugal da outra senhora e ajudaram o Portugal novo e que aos 15 anos já tinham que pensar o seu futuro, que a guerra estava aí e reconheciam, mesmo que não parecesse, o imenso esforço dos seus pais analfabetos!
- já vi o que se chamava a geração Rasca, os que terão, agora, 40 e poucos anos, que andaram na Escola a passarem administrativamente e a abanarem o capacete nas discotecas ao som dos Bee Gees e do Travolta nos anos oitenta. São todos Rascas? Claro que não, que há muitos, hoje, que são profissionais e cientistas reconhecidos, o que só prova que, em todas as gerações há os que trabalham e são bons e os que comem há mesa do orçamento e são menos bons! Os que se lamentam hoje são, como sempre, os que não se esforçaram em devido tempo, mas isto é o normal numa sociedade que não reconhece o mérito.
- hoje falamos da geração “À Rasca” e o título parece-me indicado. É a geração que vai pagar os desmandos e consumismos actuais e que se confronta com o desemprego, a precariedade, a falta de perspectivas de futuro. Só posso apoiar a sua manifestação, que só peca por tardia, que é útil e necessária para abanar a paz podre em que vivemos! Jovens, vão para a rua reivindicar, não o que têm direito, que ainda não o conquistaram, mas o que merecem e precisam, individualmente e o que o país merece e precisa colectivamente. Mas apoio-vos sem o cinismo atroz do Prof. Cavaco: todos sabemos que, sem culpa mas com conivência, vocês achavam e acham que a Matemática é de fugir, que o chumbar é normal, que os bons e exigentes professores são uns chatos a que há que bater, que os pais têm de dar a mesada e emprestar a chave do carro para se ir ao bar todas as noites até aos 30 anos e isto não é possível, nem justo, nem sustentável. É matar a galinha de ovos de ouro que já está exaurida pelos maus políticos que nos dirigem! E vocês achavam, dizem as estatísticas, que a participação política não era da vossa conta. Ainda bem que começam a ver que não é assim!
Apesar do que acima digo e com que não concordarão, a minha esperança está convosco, ainda que não incondicionalmente: defeito meu, tenho memória histórica e não consigo esquecer que os jovens dos devassos cabarets alemães dos anos 30 foram enganados e convertidos por um Hitler de palavra doce nas Juventudes Hitlerianas! Defendam causas e levem os vossos pais para a rua, que também são vítimas, para conquistarem o vosso futuro, sem dependerem de um qualquer candidato a ditadorzinho de voz doce.

Francisco Costa Duarte

PS - O "intelectual" Pacheco Pereira considerou uma moda esta revolta jovem e até se dignou mencionar os Deolinda como culpados morais! Deus meu, até onde já baixaram os nossos "intelectuais"! Já agora, para não ficar fora de moda, deixem-me, por uma vez, considerar-me "intelectual" e pôr-me em bicos de pés: se os Deolinda, para além da sua música, conseguem mobilizar tudo isto, chamando a atenção para o desemprego jovem, recibos verdes, precariedade, etc., então proponho Ana Bacalhau à Presidência da República já, uma vez que, achando-se parva, descobriu estes problemas sérios da sociedade portuguesa antes de Cavaco Silva e dos "intelectuais"! E, já agora, os gajos que vão à Eurovisão com "A Luta é Alegria" à Assembleia da República já: é como o Tiririca no Brasil: pior não fica e chateia, o que só pode ser positivo, os betinhos politicamente correctos que tanto nos têm lixado!»

terça-feira, 8 de março de 2011

IRS - CRIANÇAS CONTRIBUINTES

A identificação fiscal de "descendentes, ascendentes, colaterais ou beneficiários" passa a ser obrigatória já na declaração de rendimentos Modelo 3 do IRS relativa a 2010.
Para que todas as crianças, bebés incluídos, possam constar como dependentes nas declarações fiscais dos respectivos país e/ou tutores, terão de ter obrigatoriamente atribuído um número de contribuinte (NIF ou Número de Identificação Fiscal).
O Pai do Bicho chama a atenção para os contribuintes que têm filhos pequenos, que terão de inscrever obrigatoriamente as suas crianças nas Finanças até final de Março de 2011 .
Passa também a ser obrigatória a identificação fiscal, nas facturas emitidas nos termos legais, do sujeito passivo ou do membro do agregado, ainda que menores de idade.
É possível pedir junto da repartição de finanças mais próxima a emissão de um número de contribuinte, apresentando, por exemplo, a certidão de nascimento. Não haverá de facto emissão de qualquer cartão, mas será entregue uma folha A4 com a indicação do respectivo número de identificação fiscal, o mesmo número que virá a constar do Cartão do Cidadão no momento em que este vier a ser efectivamente pedido.
Podem também requerer o Cartão do Cidadão para os vossos filhos. As crianças até aos seis anos terão de pagar 7,5€ pelo Cartão do Cidadão. Para idades superiores o custo é de 15€, ou seja, o mesmo preço pago por um adulto. O Cartão do Cidadão é válido por 5 anos.

domingo, 6 de março de 2011

DE JANAS À PRAIA DO MAGOITO

O passeio matinal deste domingo levou-nos de Janasà Praia do Magoito.Entre os dezoito participantes,houve quem se apresentasse com adereços de acordo com a quadra carnavalesca.Apesar da ameaça de tempo chuvoso, S. Pedro pregou-nos uma excelente partida - a ausência de chuva durante todo o percurso.Depois de passarmos por um poço de "boca larga",prosseguimos a marcha por estreitos trilhos até alcançarmos o alto da falésia que se estende sobre a Praia da Agudae foi entre vegetação rasteira que caminhámos até à Praia do Magoito.Vencendo subidase ultrapassando passagens estreitas entre os canaviais,deixámos pelas costas o farol do Magoitoe alcançámos um talefe degradado pelo tempo.A paisagem apresentava-se então polvilhada de algumas construções em situação de privilégioe alguns moinhos recuperados para refúgios do bulício urbano de famílias que dispõem de conforto económico.O terreno lamacento foi quase uma constantee junto à ribeira de Magoito,várias cabeças de gado bovino refastelavam-se em viçosas pastagens.Seguiu-se uma subida sobre incómodos pedregulhosaté chegarmos a aldeia de Gouveia,onde aproveitámos para lavar os "calcantes" enlameados, bombando água para uma bacia de pedra contígua a uma mina.Cerca das 12h30 concluímos cerca de 14 quilómetros de uma extensa caminhada com paisagens deslumbrantes. O domingo de Carnaval continuou...