terça-feira, 4 de maio de 2010

INÊS DE MEDEIROS E AS VIAGENS

O assunto "pagamento das viagens da deputada Inês de Medeiros" está mais que estafado. Preencheu muitas primeiras páginas de jornais, abriu noticiários da rádio e televisão, foi tema de debates e fóruns na comunicação social, foi tratado na "blogosfera", gerou um sem número de mails e motivou uma petição assinada por 12909 cidadãos. Foi muita pressão!
Não espanta por isso que, depois de tanta polémica, a deputada prescindisse de receber as viagens entre Paris e Lisboa.
Esta decisão acontece cerca de três semanas depois de o Conselho de Administração da Assembleia da República ter acordado uma comparticipação semelhante àquela que é dada aos deputados que têm residência nos Açores.
Parece lógico e mandava o bom senso que não tivesse pedido o pagamento. Como se explica que representando o círculo de Lisboa declare que vive em Paris e queira ter os mesmos direitos dos deputados da Madeira e Açores? Tinha-se candidatado pelo círculo da emigração e era coerente, podendo então fazer trabalho junto da comunidade portuguesa em Paris que efectivamente sentiria que estava representada por um dos seus.
Quando o Partido Socialista convidou Inês de Medeiros para ser candidata por Lisboa, sabia que ela morava em Paris, aliás ela mesmo deve ter dito que morava em Paris e que muito provavelmente iria querer as passagens pagas. À "boa maneira PS" devem ter-lhe dito que lhe pagariam as viagens. Caso contrário, não é crível que a deputada aceitasse suportar o custo das deslocações e certamente teria declinado o convite.
Tudo isto podia ter sido evitado se os deputados se candidatassem todos, apenas e só, pelo círculo eleitoral da sua residência, mas lamentavelmente os inconfessáveis interesses e estratégias dos partidos políticos impedem que assim seja. Não parece honesto que alguns deputados não tenham qualquer vínculo aos eleitores da região que os elegem.
O Pai do Bicho gostaria de saber se Inês de Medeiros abdicaria de receber o valor das ditas viagens se não tivesse existido a vaga de fundo que contestou o facto.
Por tudo isto, não foi só a deputada que ficou mal na fotografia. A imagem do PS também se revelou pouco fotogénica
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