segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ASSIM VAI A JUSTIÇA...

Pela primeira vez em Portugal, um cidadão foi condenado pela disponibilização de música reproduzida ilegalmente, via Internet.
O utilizador terá descarregado música de forma ilícita (”downloads” ilegais) que depois transferiu para outros indivíduos através da chamada rede “peer-to-peer”, que permite a partilha de ficheiros de música.
A sentença do tribunal, que ainda não transitou em julgado, resulta numa pena de prisão de 90 dias, remíveis em multa, acrescida de 60 dias e de um pedido de indemnização.
Na origem deste processo está a Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) e a Audiogest (Associação para a Gestão e Distribuição de Direitos) que, em 2006, enviaram aos tribunais uma lista não nominativa de utilizadores ilegais de música.
Nos tribunais decorrem ainda outros casos que deverão conhecer uma decisão brevemente.

Utilizando um pouco de demagogia poderemos questionar:
Então e os...?
- Processo Casa Pia
- Processo Apito Dourado
- Assassinatos de seguranças na noite
- Caso Freeport
- Caso "dos sobreiros"
- Caso BCP
Soube-se prender um jovem que fez um download ilegal!! Ah leões!!!
A justiça portuguesa é um paradoxo das redes de pesca: apanha o peixe miúdo, mas o peixe grande passa à vontade...
Será que se mantém como símbolo da justiça uma balança e a venda nos olhos?
Parece que a balança está desequilibrada e a venda caiu....
Sabemos que a lei é para se cumprir.
Mas ... que a cumpram todos!!!

domingo, 28 de setembro de 2008

PASSEIO NA SERRA DE SINTRA

Durante a última madrugada várias regiões do Algarve e Alentejo foram fustigadas por forte precipitação acompanhada de trovoada, que provocou alguns danos materiais.
Esta seria a notícia do dia se porventura não tivesse ocorrido um outro acontecimento digno de registo semelhante: É que a contrastar com a intempérie sulista, as condições atmosféricas na região de Sintra eram excelentes e disso se aproveitaram treze adultos e um "Nuno Gomes pequenino" que decidiram meter-se ao caminho a partir da Barragem do Rio da Mula - que está com o nível de água muito baixo - e percorrer uma parte substancial da Serra de Sintra.
Com início cerca das 8h45, os marchantes "aqueceram os motores" atacando uma subida que os levou a uma altitude onde já não se sentem os efeitos nocivos da poluição. Foram trilhados vários caminhos densamente arborizados que alternavam com manchas de mato. A habitual pausa de 15 minutos para ingerir alimentos sólidos e líquidos teve lugar nas imediações dos Capuchos.
Depois de retomada a marcha, a amena "cavaqueira" já habitual no seio do grupo não impediu que os seus elementos desfrutassem de excelentes panorâmicas que esta serra generosamente oferece aos visitantes.

Já perto do meio-dia e depois de percorridos cerca de 13 kms, os caminheiros estavam de novo na Barragem do Rio da Mula, já com a alma lavada, dando por concluído mais um agradável passeio matinal.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

FILOSOFIAS DE JOGO (X)

"É terrível, o carrasco face a face com a vítima. Quinze segundos pontuados com um relâmpago. A multidão ou explode ou sucumbe. O penalti é a alegria ou a tristeza. Nada mais."

(Eric Cantona, ex-futebolista francês)

É realmente uma curiosa maneira de sentir a marcação das grandes penalidades.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A HISTÓRIA DE WALL STREET

Diariamente todos ouvimos falar de Wall Street, pelas piores ou melhores razões, dependendo do ponto de vista. Temos porém presente que se trata de uma bolsa de valores existente em Manhattan, na cidade de Nova Iorque, cuja importância ultrapassa as fronteiras dos E.U.A. porque condiciona outros mercados financeiros deste mundo global. Contribui para o enriquecimento de uns e consequente empobrecimento de outros. É este o jogo especulativo que se pratica neste famoso mercado.
Mas deixemos esta abordagem na perspectiva financeira para nos ocuparmos um pouco da história deste famoso local.
A Wall Street é uma rua cujo nome se deve ao facto de os holandeses terem construído no local, em 1652, um muro de lama e madeira para se protegerem de eventuais ataques dos índios. Em 1699 a parede foi demolida pelos ingleses e a rua construída no seu lugar tomou o nome de Wall Street. No final do século XVIII os intermediários financeiros e especuladores reuniam-se junto a uma árvore existente no local para negociarem. Mais tarde a Wall Street foi tomada por comerciantes e bancos de investimento, tornando-se o centro financeiro dos E.U.A..

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

BARCO ECOLÓGICO

No início do mês corrente foi testado o barco solar português.
Os primeiros testes de navegabilidade da primeira embarcação do país movida a energia solar foram realizadas na Ria Formosa e as garantias de segurança foram aprovadas.
Com 11 metros de comprimento e com uma lotação de 14 pessoas, a embarcação amiga do ambiente está equipada com 15 painéis solares complementadas com 12 baterias e foi construída num estaleiro naval de Faro rondando o seu custo os 140 mil euros.
Este barco que não emite gases poluentes e navega silenciosamente, foi baptizado com o nome de "Alvor Flor do Sal" e destina-se a passeios turísticos na costa algarvia.
Os proprietários do barco, um casal luso-irlandês que detém a empresa «Alvor Boat Trips», pretendem com esta embarcação realizar passeios turísticos a oito nós de velocidade (cerca de 15 quilómetros/hora) entre Alvor, Portimão e Lagos, passando pelas praias algarvias do Vau, Três Irmãos, Rocha, Meia Praia e D. Ana.
O "Pai do Bicho" pensa que projectos como este contribuem para um futuro melhor merecendo por isso o nosso aplauso.
Para quando podem os cidadãos esperar que as autoridades competentes estabeleçam um plano de apoio à renovação da frota de embarcações de passageiros fluviais, em que cada unidade abatida terá forçosamente que ser substituída por um barco ecológico?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

MÁRIO SOARES - CRISE SISTÉMICA?

Gostei do artigo de opinião abaixo, que hoje li no Diário de Notícias. Por isso quero partilhá-lo convosco.
Acho que vale a pena ler até ao fim e repassá-lo porque me parece que esta sábia análise encaixa na perfeição na realidade actual.

"Pai do Bicho"

1. É uma maneira elegante de sugerir, sem ser alarmista, a crise do sistema ou a crise do modelo económico. É como empregar a palavra suave abrandamento (que tanto ouvimos, nos últimos tempos), para fugir à horrível recessão ou admitir a expressão, crise económica. Mas quem se pretende enganar com tais eufemismos?
No final da última semana, na iminência das falências de bancos e companhias de seguros na América (como Lehman Brothers e American International Group, a AIG, para só citar os exemplos mais recentes), com repercussões nos países da União Europeia, da Suíça, do Japão e da China, o Presidente Bush foi obrigado a fazer uma intervenção dramática, prometendo que a Reserva Federal Americana e o Tesouro iriam entrar com os biliões necessários para resolver o problema. Não foi preciso mais nada. As bolsas - até então em desespero - reagiram com grande optimismo e, por toda a parte, houve subidas importantes no preço das acções em bolsa. Contudo, está ainda tudo em aberto, com o intervalo do fim-de-semana. O Congresso terá de se pronunciar. Veremos o que se passará nesta semana
George Soros, numa entrevista dada ao Le Monde, no sábado passado, culpa os integristas do mercado (isto é, o sistema neoliberal, a ideologia "do laisser faire e da auto-regulação dos mercados"), responsáveis, pelas imensas perdas dos bancos, das seguradoras e das bolhas do imobiliário (sub-prime), que estão a conduzir à implosão do sistema. E então? Perante a catástrofe iminente, aqueles mesmos que reclamavam, há poucos meses, menos Estado, mais privatizações, recorrem agora ao Estado, com total desfaçatez, isto é: ao dinheiro dos contribuintes. Privatizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos - essa parece ser agora a regra - sem se importarem com os prejuízos dos accionistas e as consequências que daí vão resultar no aumento em flecha do desemprego e na quebra intolerável do nível de vida das pessoas menos favorecidas. Como de costume, são os inocentes que mais sofrem. Porque os administradores e os gestores dos bancos e demais empresas - os responsáveis - saem a sorrir, com grandes indemnizações e chorudas reformas, com total impunidade…
A crise, iniciada nos Estados Unidos, no segundo mandato de Bush - como muitos previram e avisaram - está a repercutir-se na Europa, na Rússia, mesmo na China. Trata- -se de uma crise talvez pior do que a de 1929. Como disse Soros: "Na China, a crise económica pode degenerar em crise política. Paradoxalmente, a crise do capitalismo americano pode dar cabo, sem o desejar, do comunismo chinês", avisa ainda Soros...
De qualquer forma, o sistema neoliberal entrou em ruptura. É preciso repensar o capitalismo, passando da fase especulativo-financeira dos paraísos fiscais, de uma "economia de casino", para um capitalismo ético, vincadamente social e respeitador do ambiente. É possível uma tal mudança? É. Mais: é inevitável. Mas, como escreveu o economista Joseph Stiglitz, prémio Nobel: "É preciso que os dirigentes políticos do Ocidente tenham a coragem de virar decisivamente à Esquerda" (El Pais, 7 de Setembro de 2008).
2.Ora a Esquerda americana sempre contou pouco, salvo com o New Deal de Roosevelt, e a nova fronteira de Kennedy, que durou pouco tempo. Mas o partido democrático sempre conseguiu estabelecer uma diferença com o partido republicano, ultraconservador, excepto talvez com Eisenhower, que teve a coragem de denunciar o perigoso "complexo industrial-militar", que renasceu em força com Bush. Barack Obama, sem ser ideologicamente de Esquerda, marca uma diferença clara com o ultraconservadorismo, político-religioso, de McCain e da sua companheira de lista, Sarah Palin, populista e antielites, que em pouco mais de duas semanas subiu ao estrelato máximo e começou a sua descida aos infernos, mostrando a sua impreparação política e as suas fragilidades…
Pelo contrário, a Esquerda europeia, que nos anos 70 e 80, dava cartas na Europa, com líderes da qualidade e coragem de Willy Brandt, Mitterrand, Schmidt, Callagham, Olof Palme, Kreisky, Felipe González, Nenni e Craxi, após o colapso do comunismo, começou a perder terreno e a deixar-se "colonizar" pelo pensamento neoliberal de Blair e Schroeder e da chamada "terceira via" (hoje desacreditada). Daí, as perguntas que surgem: como se chegou à situação de fraqueza - e paralisia - em que a Esquerda se encontra na Europa de hoje? Como repensar o pensamento de Esquerda para poder fazer frente à crise múltipla com que estamos confrontados?
Se tivermos em conta a evolução - e o desnorte - dos partidos de Esquerda, nos grandes países europeus - o SPD, na Alemanha, o New Labour, no Reino Unido, os socialistas, em França, a "nova democracia", na Itália, para só citar os maiores - constatamos facilmente o declínio dos partidos que se reclamam da social-democracia, do trabalhismo, do socialismo democrático e da própria Internacional Socialista, cuja voz, hoje, quase deixou de se ouvir.
É verdade que há outra Esquerda residual: o que resta dos partidos comunistas, os alteromundialistas, que animam movimentos meramente protestatários, mas que tardam em encontrar o seu caminho para chegar ao poder. Sem esquecer o papel extremamente importante das Federações e Confederações Sindicais, que têm incontestável força e das associações de defesa dos Direitos Humanos, dos ecologistas e outras que têm a sua força, no plano social, mas com pouco peso na disputa do poder, em termos eleitorais..
3.É preciso, pois, repensar a Esquerda reformista, na perspectiva de fazer face, com êxito, à crise e de encontrar outro modelo económico, social e político (no sentido do aprofundamento democrático e de uma maior participação cívica dos cidadãos) para dar um novo élan à Europa (paralisada), responder à angústia e ao pessimismo dos cidadãos, quanto ao futuro, reforçando a justiça social. Voltar aos valores éticos - que foram sempre bandeira da Esquerda -, ao civismo (contra o enfraquecimento dos Estados), contra as sociedades de mercado e dos negócios pouco transparentes, lutar contra a corrupção e o tráfico de influências. Voltar à militância em favor da paz e das negociações para resolver os conflitos, lutar contra a precariedade do trabalho, contra as desigualdades, a injusta distribuição dos rendimentos, pela inclusão social, contra a degradação do ambiente e pela ordenação do território. É preciso repensar as políticas de Esquerda, apelando sobretudo, à participação dos cidadãos. E velar para que as mulheres e os homens de Esquerda, que cheguem ao poder nos Estados ou nos partidos, sejam pessoas impolutas, que saibam distinguir os negócios privados do serviço público.
Foi essa honradez republicana que permitiu que a nossa I República, apesar de só ter durado dezasseis anos, deixasse um legado de moralidade que resistiu, como um exemplo a seguir, a quase meio século de ditadura. Foram os lobbies dos interesses, a imoralidade dos dirigentes dos bancos e das empresas, as grandes negociatas, envolvendo políticos, e o tráfico de influências, numa palavra, a promiscuidade entre a política e os negócios, que desacreditou a política e nos conduziu à crise em que nos encontramos. Não nos deixemos iludir: o sistema está podre e é preciso mudá-lo. Essa é a grande tarefa da Esquerda europeia, com autonomia ideológica em relação à América, uma vez repensadas as políticas e os comportamentos, para que os cidadãos se mobilizem.
(Artigo de opinião de Mário Soares - Diário de Notícias 22-09-2008)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

RAMALHO EANES - HOMEM DE HONRA

Uma lei especial e antiga estabeleceu que o General Eanes não poderia acumular a sua pensão de reserva como militar com a pensão de ex-Presidente da República. Uma lei estranha, num país em que as grandes figuras do regime acumulam tudo: pensões privadas com pensões públicas, pensões públicas com ordenados privados e pensões públicas com pensões públicas. Sentindo-se descriminado, o general recorreu à justiça que, muitos anos depois lhe deu razão e mandou que passasse a receber ambas as pensões, mais os retroactivos, cerca de 1.300.000 euros. É muito dinheiro!
Trata-se, além disso, de dinheiro do Estado. E o dinheiro do Estado, sendo dinheiro de todos, é muitas vezes encarado como dinheiro de ninguém, assim se condescendendo ou desculpando os abusos em que se traduzem muitos privilégios.
Tal como em tempos disse o poeta Manuel Alegre "Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não", Eanes resistiu e não quis receber esta pequena fortuna. Se recebesse os retroactivos a que tem direito ninguém o poderia acusar de desonestidade. Mas ele recusou-a. É uma questão de honra. E, nas questões de honra, não basta apregoá-la, é preciso tê-la, como diz Miguel Sousa Tavares..
Quantos portugueses, políticos ou não, na mesma situação prescindiriam de tanto dinheiro?
Registe-se a lição de ética.

(Suporte informativo: Crónicas de Fernando Madrinha e Miguel Sousa Tavares - Expresso 20-09-2008)